06 de Setembro 2010
 Edição #140 2010
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Entrevistas e Artigos
- Edu Falaschi - Angra/Sepultura em Santa Catarina - 20/11/2009
- Entrevista com Edu Falaschi e show do Angra e Sepultura em Florianópolis
Texto: Carolina Brand / Fotos: Celinho Herardt
O último show da turnê inédita de Angra e Sepultura foi em Florianópolis no dia 17 de outubro. As bandas apresentaram-se no Floripa Music Hall com a organização da Orth Produções, para milhares de pessoas que aplaudiram calorosamente os dois shows, muito bem recebidos na capital. Na ocasião, o vocalista Edu Falaschi (Angra, Almah, ex-Symbols e Mitrium) realizou um workshop no Opus Espaço Cultural, onde tive a oportunidade de realizar esta entrevista exclusiva.
O Angra está numa fase de reestruturação. Como surgiu a ideia de fazer um turnê com o Sepultura, uma das maiores bandas do segmento no Brasil e no exterior, que gravou CD recentemente, ao contrário do Angra que gravou seu último álbum em 2006?
Edu Falaschi: Quando decidimos voltar com o Angra, depois de dois anos parados, precisávamos de um novo empresário que veio a ser a Mônica Cavalera, empresária do Sepultura. Foi ideia dela por ser algo totalmente inédito e diferente porque o Angra nunca tinha tocado com o Sepultura, em nenhum lugar, e achamos super legal. Hoje é o nosso último show junto com eles, depois o Sepultura faz shows fora do Brasil. Em novembro o Angra tem shows na Europa e depois voltamos para começar a compor o novo álbum.
E como foi a aceitação do público nessa mistura inédita com duas bandas de estilos diferentes?
Edu: Foi super legal, no início a gente ficou meio receoso pelo fato de o Sepultura ser uma banda de Thrash Metal e nós uma banda de Metal Melódico... Se fosse há dez anos, acho que essa junção não seria possível, mas hoje em dia as pessoas estão mais abertas e todo mundo curte um pouco de tudo, a internet ajudou a galera a conhecer vários estilos. Muita gente que curte o Sepultura hoje curte Angra também e vice-versa. Os shows foram todos perfeitos.
Não teve nenhum tipo de rejeição?
Edu: Não, em geral foi ótimo. Claro que sempre tem um ou outro, em Recife teve um caso em que o cara incomodou um bocado, mas no local havia 2.500 e pessoas então o fato de uma pessoa vir falar mal isoladamente não representa muita coisa...
Vocês tocam antes do Sepultura?
Edu: Sim, justamente pelo estilo, somos muito menos “punch”, digamos assim. Tem mais a ver a gente entrar, tocar nossas músicas que são pesadas também, mas não tanto, e no final o Sepultura vem com peso máximo. Se fosse o contrário a galera ia estranhar porque ia começar com uma carga de peso total e depois ter um pouco mais de melodia, aí podia ficar estranho.
Qual o momento atual do Angra, como vocês estão começando esta nova fase?
Edu: A gente reformou tudo, tivemos uma mudança na formação com a entrada (volta) de Ricardo Confessori na bateria, nova empresária... O retorno do Confessori foi legal porque o cara já é experiente, já conhece todo o trabalho do Angra, então foi bem tranquilo. Mudamos a parte administrativa e agora estamos nos preparando para o novo disco.
O relacionamento entre os integrantes da banda e com os fãs mudou?
Edu: Não... A banda está se dando super bem, tudo bem tranquilo como falei. E os fãs estavam ansiosos para ver o Angra de volta na estrada, então eles estão bem felizes com o retorno.
Conte mais sobre o material novo do Angra.
Edu: Estamos compondo individualmente por enquanto, cada um na sua, suas próprias músicas para nos reunirmos e começarmos a unir as ideias sem fugir do estilo característico do Angra que vai continuar com tudo. Terão coisas novas com certeza, mas nenhuma mudança radical no que diz respeito às composições.
E quanto ao Almah? Como você faz para conciliar as duas bandas?
Edu: No início (do Almah) era mais fácil de conciliar as agendas e marcar shows e compromissos para as duas bandas, mas com o grande intervalo do Angra, os trabalhos do Almah deram uma crescida significativa e a procura pela banda aumentou bastante. Com o Angra voltando com carga máxima, ficou mais difícil de conciliar as duas, quando uma trabalha, principalmente em fase de composição, eu sou obrigado a dar uma segurada na outra e vice-versa. Este é um momento em que estou dando uma segurada no Almah para me dedicar aos shows do Angra, mas continuo fazendo shows com as duas, às vezes um seguido da outro. No ano que vem haverá novas gravações, mas no primeiro semestre darei prioridade ao lançamento do novo disco do Angra e no final do ano devemos lançar o novo do Almah.
E essa “ginástica”, tendo shows seguidos um do outro, como faz para cuidar e manter a voz sem perder qualidade vocal?
Edu: O ideal é dormir bastante, procuro dormir e descansar muito, comer bem, evitar de falar muito e sempre falar mais baixo. Mas tem situações que fica meio complicado, por exemplo ontem fizemos show com o Sepultura em Curitiba, que foi um show forte onde tive que usar muito da minha voz e fizemos uma jam no final, então não pude ir embora logo depois do show. Viajamos de madrugada, dormi no ônibus e agora vim para apresentar o workshop. Quer dizer, dormi umas três horas no máximo, dentro do ônibus.
Acontece de perder a voz ou ficar rouco nesse tipo de situação que exige muito?
Edu: Não, rouco é difícil ficar, mas preciso fazer alguns aquecimentos, alguns exercícios para dar uma abertura pra voz, mas não é o ideal e não fico no meu 100%. Mas mesmo assim vai ser legal.
Você começou sua carreira tocando outros instrumentos, não descobriu o talento para cantar desde pequeno como muita gente, não é mesmo?
Edu: Sim, comecei tocando bateria... aí vi que era muito trabalhoso ficar carregando muita coisa e desisti. Virei vocalista meio que por acidente, tocava guitarra numa banda e um dia substituí o vocalista e o pessoal falou “meu, você canta bem melhor do que toca guitarra, vamos te colocar só pra cantar”... e assim começou essa minha vida profissional que já dura 20 anos. Estou muito satisfeito com o momento em que me encontro agora, vou cantar até onde eu “aguentar” (risos) e comecei a investir bastante na minha carreira de produtor agora.
Durante o workshop Edu Falaschi falou bastante de sua experiência profissional e sobre exercícios e cuidados com a voz, textura, aquecimento, brilho e volume, ressonância, além de cantar “Nova Era” e “Rebirth”. No mesmo dia, Ariel Coelho, responsável pelo evento, também apresentou workshop com explicações detalhadas sobre técnica vocal aplicada ao rock e cantou Richie Kotzen, Glenn Hughes e Joe Lynn Turner em “Mother Heads Family Reunion” e “You Can’t Stop Rock and Roll”. Uma tarde perfeita para amantes do estilo e candidatos à carreira musical. Oportunidade aproveitada por um número seleto de pessoas, como ainda é, infelizmente, em Florianópolis.
Muitos destes sortudos ainda aproveitaram para conferir de perto o espetáculo realizado durante a noite no Floripa Music Hall, onde fãs do Angra puderam matar a sede de shows com os principais clássicos da banda. O show iniciou com o inesquecível “Carry On” e continuou com poucas músicas do último CD “Aurora Consurgens”. “Angels Cry”, “Late Redemption”, “Carolina IV”, “Acid Rain” e “Nothing to Say” foram algumas das músicas do set list, que arrancou elogios da plateia em coro gritando pelo nome de Edu Falaschi. Para mim, foi um sinal de aprovação de sua nova fase de recuperação vocal e também de saudade dos fãs.
O Sepultura, por sua vez, valorizou o mais recente trabalho “A-lex” lançado este ano. Para delírio do público (e muita dor no pescoço pós-show) a banda relembrou os clássicos “Refuse/Resist”, “Territory”, “Roots Bloody Roots” e “Arise”.
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